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Artigo: Estimulação Eletromuscular: O Futuro do Exercício?

RESUMO
As exigências da época em que vivemos não permitem que se dedique a atenção necessária à saúde e bem-estar do Homem. A prática desportiva, que permite ao ser humano manter-se saudável, é assim remetida para segundo plano quando objetivos de carreira profissional consomem grande parte do tempo e as contingências da vida do dia-a-dia não deixam tempo disponível para esse tipo de atividades. É neste contexto que aparecem sistemas de estimulação eletromuscular (EMS) com objetivos ambiciosos: fique em casa ou no escritório e perca peso e ganhe músculo sem ginásio, sem suor, sem perda de tempo. É um slogan maravilhoso que vai ao encontro às necessidades da maior parte das pessoas, mas será que funciona? No mercado existem muitos aparelhos para aplicação da EMS seja na área do desporto, seja na área da fisioterapia. Ambos apresentam resultados que provam a validade deste método nas duas áreas mencionadas, embora possam não ser aqueles proclamados por publicidade desinformada e enganosa. Este artigo tenta repôr a verdade acerca dos métodos de EMS, as suas aplicações e os seus resultados.

Prática fisioterapêutica baseada em evidências

Texto retirado do Blog do Professor Carlos Lucena, onde encontram-se tambem disponíveis para download monografias e trabalhos orientados por ele, relacionados a area de Eletrotermofototerapia.


Não se admite mais a ação fisioterapêutica localizada e restrita ao diagnóstico do encaminhamento médico. O fisioterapeuta é o profissional da área da saúde que mais tempo passa acompanhando o paciente. Esse fato lhe dá a oportunidade de detectar, às vezes com precocidade, a presença de doenças até então insuspeitadas pelo paciente e pelo médico que fez o encaminhamento.

Torna-se cada vez mais freqüentes achados de hipertensão arterial, diabetes, doenças respiratórias, obesidade e outros achados. Pacientes encaminhados com traumatismos articulares, seqüelas de doenças degenerativas ou quadros inflamatórios sem grandes repercussões para sua economia orgânica, inúmeras vezes, ao exame fisioterapêutico inicial, mostra-se portador de um quadro hipertensivo sem incômodos evidentes ou exacerbação de sua taxa glicêmica.

O fisioterapeuta não deve se contentar em avaliar e tratar apenas a pessoa portadora do quadro clínico imediato que o levou a procurar cuidados médicos. Em todas as sessões fisioterapêuticas deve-se medir sua pressão arterial e, pelo menos na avaliação inicial, verificar seu nível glicêmico, principalmente se houver história de parentes em primeiro grau que apresentem alterações significativas nesses indicadores.

A avaliação do índice de massa corporal e os diâmetros abdominais também não devem ser esquecidos, para se poder caracterizar os estados de sobrepeso, obesidade simples e obesidade mórbida. Alguns minutos dedicados a esses exames podem representar uma atitude importante na preservação de uma boa qualidade de vida para o paciente.

Uma tenosinovite, um ombro congelado ou um joelho instável podem representar quadros clínicos incômodos para o paciente, mas em nenhum deles a pessoa corre risco de um desfecho fatal. No entanto descobrir com precocidade que o paciente é portador de uma hipertensão arterial ou de um quadro de diabetes poderá livrá-lo de amputações dos membros inferiores, retinopatia diabética, nefropatias, acidentes vasculares cerebrais ou infarto do miocárdio.

É absolutamente necessário que o fisioterapeuta esteja habilitado a executar e interpretar os dados oferecidos pela avaliação dos sinais vitais. Os conhecimentos transversais de clínica o auxiliarão a evitar as perigosas seqüelas advindas de alterações metabólicas e degenerativas e fundamentarão um programa fisioterapêutico voltado para o alívio ou resolução desses quadros clínicos e o encaminhamento do seu paciente aos colegas médicos das várias especialidades, para iniciarem e acompanharem o tratamento a ser prescrito por eles juntamente com a fisioterapia.


Sabendo-se, através de dados epidemiológicos nacionais, que a hipertensão arterial e a Diabetes mellitus representam na atualidade quadros nosológicos da mais alta preocupação em virtude de sua prevalência dentro da população e levando-se em consideração que a população brasileira que apresenta idade superior a 60 anos, cresceu em mais de 240% nos últimos 10 anos, fica claro que o fisioterapeuta, pelo tempo que vai passar junto ao paciente, ganha uma importância significativa como agente de saúde que pode surpreender o início de uma doença ou sua recidiva e fazer o encaminhamento devido do paciente para os especialistas médicos das diversas áreas envolvidas.

Este deve ser o comportamento do fisioterapeuta frente às evidências epidemiológicas para embasar seu programa de tratamento.


Carlos Lucena

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